Fracas pelo desuso, minhas mãos deslizam a caneta sobre o papel
desastrosamente. Já não reconheço mais minha caligrafia. Já não ouço mais a persona que sempre esteve
comigo. "Ouvir vozes" é diferente nesse caso: dizer que não as ouço não é um
pensamento feliz. Já não tenho mais vontade de virar noites
tentando fazer bonitos tracejos vísiveis do pensamento. Bonitos, porém
melancólicos. Não se deve romantizar a tristeza, mas o que posso fazer se a
tristeza transborda em forma de arte romântica? Poderia dizer que sinto falta
dessa tristeza, de certa forma. Da tristeza artística, esclareço. Do artístico,
retifico.
Há tempos não parava para pensar e descansar, então fico feliz de ter
esse curto tempo agora. A correria do dia a dia, a desmotivação causada pelo
estresse que contamina a mente, tudo desagua na tristeza. Mas tristeza demais
que impede a arte. Fico feliz - e surpresa - ao perceber hoje que não é só a
tristeza que me faz continuar, mas a motivação que vem da felicidade de ter um
tempo. Tempo para respirar, amar e matar a saudade.
Saudade de viver, saudade de escrever.

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