Cadeiras
bagunçadas e vazias. Além do janelão, não há nada... Que valha a pena. A lousa
manchada de tinta do pincel especial. Luzes apagadas. Frio. Uma garota sozinha,
escrevendo em seu caderno. Parece concentrada... E melancólica. O que estaria
ela escrevendo?
Às
vezes soltava um suspiro pesado, olhava de relance o chão sujo, a porta, o
próprio pulso... O que neste havia? Um ferimento?
De
repente, alguém abre a porta e o coração dela dispara. Quem era? Antes de poder
identificar a pessoa, esta fecha a porta sem vê-la no cantinho, como se ela
fosse invisível.
O frio
é intenso, não só o frio da saleta, como o frio que ela sente no coração. O
frio que a faz ficar amarga a cada dia que passa... Percebi isso no seu olhar
triste, que era sim protegido por um escudo, porém, este era de cristal fino e
não precisamos quebra-lo para traduzir o que se passa lá dentro.
Mesmo
se a sala estivesse lotada de pessoas, ela ainda se sentiria sozinha. Era um
sentimento horrível e ela, definitivamente não gostava, mas a escolha não
parecia ser dela.
Num ato
de desistência, ela largou seus instrumentos, se acomodou na cadeira, sua
expressão enrugou-se, o cristal ficou cada vez mais brilhante e frágil até
quebrar-se, dando lugar à explosão de lágrimas.
Vê-la
sozinha, chorando debruçada sobre o caderno, sussurrando palavras como “amo” e
“saudade”, me fez perceber que a dor dela é incompreensível para quem nunca
sentiu a dor de perder quem ama.