sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Broken 22/11/11


                Cadeiras bagunçadas e vazias. Além do janelão, não há nada... Que valha a pena. A lousa manchada de tinta do pincel especial. Luzes apagadas. Frio. Uma garota sozinha, escrevendo em seu caderno. Parece concentrada... E melancólica. O que estaria ela escrevendo?
                Às vezes soltava um suspiro pesado, olhava de relance o chão sujo, a porta, o próprio pulso... O que neste havia? Um ferimento?
                De repente, alguém abre a porta e o coração dela dispara. Quem era? Antes de poder identificar a pessoa, esta fecha a porta sem vê-la no cantinho, como se ela fosse invisível.
                O frio é intenso, não só o frio da saleta, como o frio que ela sente no coração. O frio que a faz ficar amarga a cada dia que passa... Percebi isso no seu olhar triste, que era sim protegido por um escudo, porém, este era de cristal fino e não precisamos quebra-lo para traduzir o que se passa lá dentro.
                Mesmo se a sala estivesse lotada de pessoas, ela ainda se sentiria sozinha. Era um sentimento horrível e ela, definitivamente não gostava, mas a escolha não parecia ser dela.
                Num ato de desistência, ela largou seus instrumentos, se acomodou na cadeira, sua expressão enrugou-se, o cristal ficou cada vez mais brilhante e frágil até quebrar-se, dando lugar à explosão de lágrimas.
                Vê-la sozinha, chorando debruçada sobre o caderno, sussurrando palavras como “amo” e “saudade”, me fez perceber que a dor dela é incompreensível para quem nunca sentiu a dor de perder quem ama.